A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara
dos Deputados aprovou nesta quinta-feira uma proposta que dá preferência
de gastos públicos em produtos informatizados baseados em software
livre. Com o código aberto, esses programas podem ser livremente
adaptados e usados como base para outros softwares.
A decisão faz parte de Projeto de Lei 6685/06, do Senado, que dá
prioridade ao software livre nos gastos relacionados ao Fundo de
Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) - um programa de
inclusão digital de instituições do ensino público, hospitais,
bibliotecas, órgãos de segurança pública, instituições de apoio a
deficientes e que prioriza cidades remotas e com interesse estratégico,
como as que ficam na fronteira com outros países.
O relator José Rocha (deputado federal pelo PR-BA) fez apenas uma
ressalva à proposta original, adicionada à lei depois do protesto de
vários deputados, que permite o uso de softwares proprietários apenas no
caso de não existir uma alternativa em software livre que atenda às
necessidades de uso. O projeto ainda será analisado pelas comissões de
Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
A importância do software livre
Apesar de parecer irrelevante ou meramente técnico para grande parte dos
brasileiros, o projeto na verdade tem interesse estratégico. O Brasil
sofre grande pressão de lobbystas de multinacionais da tecnologia para o
uso de tecnologias proprietárias, como afirmou o ex-presidente Luiz
Inácio da Silva em visita ao Fórum do Software Livre de 2009, realizado em Porto Alegre.
No ano passado, o Wikileaks divulgou um documento diplomático
norte-americano que comprova a pressão das gigantes da computação ao
governo brasileiro.
O relatório "Microsoft vê ataque do governo contra propriedade intelectual"
– escrito em 2007 pelo cônsul-geral dos EUA em São Paulo, Thomas White –
narra uma visita ao Planalto do embaixador dos EUA no Brasil, Clifford
Sobel, e do presidente da Microsoft no país, Michel Levy. Ambos tinham
justamente o objetivo de pressionar o governo brasileiro para a adoção
de tecnologias proprietárias da empresa em iniciativas públicas.
Uma das maiores preocupações narradas por eles era com a então ministra
da Casa Civil, Dilma Roussef, que era uma das líderes dentro do governo
em iniciativas para a redução no pagamento de royalties e criação de uma
cultura brasileira de software livre.
Todo ano, o Brasil manda cerca de R$ 2 bilhões ao exterior para o pagamento de direitos de softwares proprietários.

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