A facilidade com que os alunos interagem com a tecnologia também
impôs uma mudança de comportamento em sala de aula. Hoje, já não é
exclusividade dos mais jovens manter blogs, atualizar perfis em redes
sociais ou bater papo com amigos na internet. A geração digital passou a
exigir que o professor fizesse o mesmo - e ele está mudando pouco a
pouco. Os motivos são claros. Em um mundo onde todos recorrem à rapidez
do computador, nenhuma criança aguenta mais ouvir horas de explicações
enfadonhas transcritas em uma lousa monocromática. "A tecnologia faz
parte do cotidiano de todos os jovens. Os alunos esperam que o professor
se utilize disso em sala de aula. Seu papel mudou completamente, mas
continua essencial. Ele guia o processo de aprendizagem, sendo o elo
entre o aluno e a comunidade científica", afirma Linda Harasim,
professora da Universidade Simon Fraser, em Vancouver, no Canadá. Confira o perfil do novo professor.
O
problema é, justamente, adaptar a tecnologia ao conteúdo pedagógico. É
consenso entre os especialistas que não basta apenas investir em
laboratórios, salas multimídia e projetores de luz. Muitas escolas,
mesmo aquelas que gastam rios de dinheiro em equipamentos de última
geração, deixam de lado o treinamento dos professores. Sem mudança na
metodologia, as novas ferramentas são subtilizadas. "Passamos
praticamente uma década do novo milênio e nosso modelo educacional ainda
reflete a prática dos séculos XIX e XX. A internet ainda é usada,
geralmente, como tampa-buraco ou enfeite nas salas de aula
tradicionais", acrescenta Harasim.
O professor de informática Jean
Marconi, de Brasília, acompanhou de perto a dificuldade imposta pelos
novos recursos tecnológicos. Quando o colégio onde trabalha investiu
pela primeira vez em equipamentos digitais, a direção não se preocupou
em desenvolver um novo método de ensino nem capacitar os professores.
Marconi aproveitou a formação em tecnologia da educação e propôs à
escola treinar seus colegas. Hoje, segundo ele, todos já têm contato com
as novidades e criam projetos para suas próprias disciplinas. "O
colégio tinha a proposta, mas andava a passos lentos. Fui, então, de
professor em professor despertando a curiosidade. Consegui que houvesse
uma integração entre o conhecimento do educador e a tecnologia. Mas há
alguns que ainda têm medo de mexer com essas ferramentas".
Para a
pedagoga Sílvia Fichmann, coordenadora do Laboratório de Investigação de
Novos Cenários de Aprendizagem (LINCA) na Escola do Futuro da USP, um
dos motivos pelos quais os professores ainda resistem em utilizar a
tecnologia é o receio de perder o posto de detentor único de
conhecimento. "A internet rompeu com uma série de paradigmas. O
professor, hoje, tem de se conscientizar de que não sabe tudo e precisa
ser muito mais parceiro do aluno na busca pelo saber", afirma. Sílvia
diz que não é fácil lidar com as novas ferramentas, mas cabe ao educador
coordenar e orientar as tarefas. "O problema é que existem três tipos
de professor: os que preferem o método tradicional, aqueles que não
sabem utilizar a tecnologia e, finalmente, os que se adaptaram ao novo
contexto. Eles convivem em uma mesma sala de aula, o que impede a adoção
completa da tecnologia", completa
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